A comunidade floresce com paisagismo nas faixas de dutos

Quem olha as faixas de dutos da Transpetro transformadas pelo Projeto Faixa Limpa II percebe que, além de locais de convivência comunitária, há especial cuidado com o paisagismo. Mais do que embelezar os espaços, ciência e arte se unem nos projetos de cada região, combinando botânica, design e arquitetura, em busca de ambientes harmônicos.

“Procuramos um equilíbrio entre funcionalidade e estética, ou seja, trazer cores e belezas para as áreas”, afirma Gabriela Maibashi, técnica ambiental do Faixa Limpa II no Instituto Gea – Ética e Meio Ambiente. Além da oportunidade de criar beleza e funcionalidade, a conexão com o ambiente é outro objetivo da intervenção nos territórios.

Por isso, o paisagismo tem sido a ênfase do projeto sobre os dutos. Há desde hortas comunitárias que dão função social aos espaços até jardins de chuva que absorvem água e minimizam enchentes, numa instalação de SBN (Soluções Baseadas na Natureza).

Floreiras feitas com pneus descartados também transformam espaços em experiências ambientais que encantam e acolhem.  Busca-se priorizar o uso de plantas nativas e mais resistentes, para reduzir a manutenção e preservar a biodiversidade.

“Além da equipe do Projeto Faixa Limpa II , participam do planejamento os moradores do entorno que têm essa vocação e que gostam de plantas”, conta Gabriela.

Comunidade participa

A comunidade tem papel central nesse processo, participando desde o planejamento da escolha do local, da divisão de tarefas para os dias de mutirão e para a manutenção e cuidados. Também escolhem como o espaço será transformado. Floreiras e jardins têm sido a preferência dos moradores.

“Observamos o fluxo de pessoas para saber se o projeto é adequado e precisamos de autorização prévia da Transpetro”, explica a técnica do Gea. Os dutos transportam combustível, por isso não permitem escavações nem plantas ou árvores de raízes profundas.

Desde agosto de 2025, Silmara Cristina da Silva testemunha a vivência transformadora do Projeto Faixa Limpa II no Jardim Campos Elíseos, em Campinas. Há pelo menos 15 anos ela diz aguardar por melhorias no espaço, que, além de equipamentos de entretenimento, ganhou ação inovadora de SBN, com implantação de um jardim de chuva e uma biovaleta, para reduzir enxurradas.

Plantas e flores dão toque especial aos espaços de dutos

“Todos que vêm nos visitar dão os parabéns pela conquista, pela beleza do lugar. Estamos felizes e gratos pela transformação da nossa comunidade, um lugar agora prazeroso para se viver, para as crianças brincarem que a gente não tinha, como o campo de futebol e o parquinho”, diz ela.

Silmara Cristina é uma das moradoras que se envolveram em profundidade com o projeto. Ela ajuda a preservar o bem-estar local, responsabilizando-se por regar diariamente as plantas e flores.

O monitoramento da área e o comprometimento dos moradores são essenciais para a conversão de antigos espaços degradados em áreas alegres e coloridas. Alguns profissionais dizem que o paisagismo pode ser pensado como uma pintura viva:

•      As plantas são as cores;

•      As pedras e caminhos são as linhas;

•      A água e o vento são os movimentos;

•      E o homem é o ser que interage com essa obra em constante mudança.

Horta comunitária é exemplo de paisagismo social

Floreiras com pneus reaproveitados também dão beleza aos territórios