Faixas de vida: a revolução cidadã nos dutos da Transpetro em São Paulo

Quase 260 mil moradores são beneficiados com a revitalização de áreas na Capital, ABC, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Suzano, Campinas e Osasco

Uma revolução silenciosa ocorre todos os dias nas faixas de dutos da Transpetro que cortam a Capital e parte da Grande São Paulo.

Antes alvos de descarte irregular de resíduos, ocupações inadequadas e vandalismos, essas faixas se transformam em agradáveis pontos de convivência comunitária e educação socioambiental. Os moradores ganham espaços completamente revitalizados para prática esportiva, lazer e bem-estar, além de ações de geração de renda e conscientização ambiental.

Trata-se do Projeto Faixa Limpa II, que até 2.027 beneficiará 71 comunidades estabelecidas ao longo dos dutos da Transpetro, impactadas também com ações culturais, capacitação para o trabalho e ainda redução de riscos à saúde e segurança. Os dutos transportam combustível e gás produzidos pela Petrobras. No caso do Faixa Limpa II, foram 5 mil e 450 metros quadrados de faixas que receberam benfeitorias nos últimos três anos em São Paulo, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mauá, São Bernardo do Campo, Santo André, Suzano, Campinas e Osasco.

De junho de 2.022 a setembro de 2.025, já são 52 comunidades beneficiadas, impactando diretamente 30.376 pessoas e, indiretamente, 259.923. Foram realizadas 32 ações de capacitação e cursos promovidos pelo projeto, uma iniciativa da ONG Instituto Gea – Ética e Meio Ambiente em convênio com a Transpetro.

Justiça social

A questão social, aliás, aparece de forma integrada. “Populações vulneráveis que na sua maioria habitam a vizinhança dos dutos são vistas com uma abordagem que combina sustentabilidade e justiça social. Os outrora espaços degradados, depois de revitalizados, valorizam os imóveis, elevam a autoestima da comunidade e trazem segurança quanto aos riscos que os canos enterrados podem representar, além de aumentar a preservação das faixas de dutos”, diz a técnica ambiental do projeto no Gea, Gabriela Maibashi.  

O Projeto Faixa Limpa II incorpora, inclusive, inovações. O jardim de chuva e a biovaleta instalados no Jardim Campos Elíseos, em Campinas (foto 1), representam o que há de mais avançado na absorção de grande quantidade de águas de chuva, funcionando como canteiros- esponjas que reduzem alagamentos e inundações. São exemplos de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) que absorvem, retêm e filtram o excesso de água pluvial. 

A cidadania é outro ponto alto. Os espaços aproximam a população das iniciativas de lazer por meio de quadras de esporte ou parques infantis, oficinas de produção artística e de hortas comunitárias (foto 2), paisagismo e empreendedorismo. Gincanas Ecológicas Escolares e Cine na Fixa nas escolas do entorno dos dutos estimulam o envolvimento de crianças e jovens.

As soluções para cada região brotam da escuta permanente da comunidade, que faz sugestões, ajuda a corrigir rumos e se torna cuidadora do espaço, como que reescrevendo o destino da região em que habitam.